Crítica: Show Bar (2000) – Victor Mendonça

Victor Mendonça, em 29 de Março de 2019

 

Show Bar” é um filme que não se envergonha de abraçar a narrativa esquemática e repleta de clichês. Paradoxalmente, é aí que reside, junto ao elenco, o maior mérito do longa-metragem. Ao contar de forma leve uma premissa já batida no longínquo ano 2000, quando a obra foi lançada, o roteiro de Gina Kelly e a direção de David McNally assumem o enredo estilo novelão. Assim, eles transformam essa obra numa produção com charme e energia, dentre outras qualidades.

 

Violet Sanford (Piper Perabo), uma jovem de 21 anos, segue para Nova York com um sonho: tornar-se uma grande compositora de sucesso. Mas ela deixa suas aspirações profissionais de lado quando recebe uma proposta para trabalhar num show bar chamado Coyote Ugly, localizado em Manhattan. Até que, juntamente com um grupo de jovens mulheres sensuais, irá atormentar os clientes do local, com suas artimanhas e brincadeiras.

 

O filme usa e abusa dos clichês e da previsibilidade na tentativa de envolver e conquistar o público não pela curiosidade do que está por vir (ainda que exista um certo nível de suspense no ato final), mas pelo simples prazer de asssitir a esta obra mercadológica e rasa. Mesmo que o excesso de elementos voltados ao lugar comum canse em alguns poucos momentos, a decisão de não ousar, mas manter tudo em seu devido lugar, revela-se acertada. Afinal, o resultado final é uma produção lúdica (no sentido da diversão) e muito bem amarrada.

 

O elenco é um destaque à parte, mesmo interpretando personagens que remetem a velhos arquétipos das tramas. Piper Perabo está muito bem como a garota sonhadora que se perde e se reencontra algumas vezes ao longo da projeção. Mesmo os tiques comuns a mocinhas são empregados com eficiência pela atriz, que está bem acompanhada pelo par romântico encarnado por Adam Garcia. O à época rapaz jamais deixa que o jeito fechado de seu personagem seja um empecilho para provocar a simpatia do público.

 

Vale destacar outros nomes de peso no elenco, como a supermodelo e atriz Tyra Banks, que mais tarde se tornaria uma das pessoas mais influentes do mundo pela revista TIME por seu trabalho como apresentadora de televisão e empresária. Outros destaques são Melanie Lynskey, uma ótima atriz subaproveitada em Hollywood, mas que dá seu toque especial à melhor amiga da protagonista, e o renomado John Goodman, como o pai da personagem principal.

 

A trilha sonora é outro ponto forte e deixa um gostinho de quero mais, passando a impressão de que o filme seria melhor se aproveitasse com profundidade o seu lado musical. Ainda assim, “Show Bar” é um entretenimento agradável e que não ofende a inteligência do espectador.

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