Crítica: Polar (2019) – Victor Mendonça

Victor Mendonça, em 15/02/2019

 

Abordar o curioso e intrigante mundo dos assassinos de aluguel não é uma ideia original nos cinemas. Por isso, ao menos espera-se que a produção que tenha essa proposta ou seja um retrato denso e crítico acerca das questões éticas e morais deste universo, ou ao menos funcione como um filme de gênero que desperte o entretenimento passageiro. No caso de “Polar“, a obra não se encaixa em nenhum destes propósitos. Pelo contrário, trata-se de um longa-metragem desconexo, em que tudo parece fora do lugar, além de ser maçante e beirar o mau gosto em vários momentos.


Duncan Vizla é um dos maiores assassinos de aluguel do mundo, mas por conta da idade avançada e da exaustão física e mental que trazem a sua profissão, o homem está em vias de se aposentar. No entanto, seus planos são interrompidos quando seu antigo chefe o convoca para uma missão trabalhosa. Ele precisa liquidar uma trupe de jovens assassinos sanguinários, mas a tarefa se mostra cada vez mais difícil.


O cineasta Jonas Akerlund tem uma carreira extensa e renomada como diretor de videoclipes e tenta trazer um pouco dessa linguagem para o cinema, falhando consideravelmente no processo. O excesso de letreiros, as telas divididas, a montagem que faz transições que tentam ser ousadas, tudo iso colabora para tirar a verossimilhança do que está sendo visto na tela e prejudica seriamente a imerção do público.


Para piorar, a mixagem de som, com barulhos como tiros e outros que remetem a batidas do coração, assim como a trilha sonora e os ruídos, é exagerada e ineficaz ao criar o clima de tensão proposto. O mesmo ocorre com a fotografia, que oscila entre um tom angustiante e outras cenas com iluminação mais alegre, sugerindo um tema de humor que parece saído de outro filme. Uma cena de tortura, que poderia ser incômoda, se perde em meio ao uso excessivo de truques e efeitos. Há outros problemas de igual gravidade: as cenas de sexo são artificiais e beiram a vulgaridade, assim como os momentos de violência gratuita absurdos dos quais o filme é recheado.


No papel principal, o competente Mads Mikkelsen (“A Caça”, “O Amante da Rainha”, série “Hannibal“) tenta criar um personagem mais complexo do que ele de fato é, mas o tom triste de sua composição também não se encaixa bem no restante da obra. Há uma melhoria nas cenas em que ele contracena com Vanessa Hudgens, que, com uma carreira que começou a ter destaque com “High School Musical” e passou por “Spring Breakers: Garotas Perigosas“, “Grease: Ao Vivo” e “A Princesa e a Plebeia“, tem revelado-se cada vez mais uma atriz interessante, ainda que tecnicamente imperfeita. Aqui, ela cria uma personagem com fragilidades, traumas e inseguranças. Ambos trabalham bem as expressões faciais e os olhares quando estão juntos em cena, e é uma pena que esses momentos sejam óasis que parecem pertencer a outra produção.

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