Crítica: Pantera Negra (2018) – Victor Mendonça

Victor Mendonça, em 17/02/2019

 

Pantera Negra“, da Marvel, é o primeiro longa-metragem de herói a concorrer ao Oscar de Melhor Filme. A boa notícia é que a produção revela-se importante ao trazer representatividade, com um elenco majoritariamente negro e personagens femininas tão relevantes quanto as masculinas. Por outro lado, “Pantera Negra“, embora seja um filme que tenta se valer como uma experiência sobretudo sensorial, é obra com muitos problemas capazes de decepcionar o espectador mais crítico.

 

Após a morte do rei T’Chaka (John Kani), o príncipe T’Challa (Chadwick Boseman) retorna a Wakanda para a cerimônia de coroação. Nela são reunidas as cinco tribos que compõem o reino, sendo que uma delas, os Jabari, não apoia o atual governo.

 

T’Challa logo recebe o apoio de Okoye (Danai Gurira), a chefe da guarda de Wakanda, da irmã Shuri (Letitia Wright), que coordena a área tecnológica do reino, e também de Nakia (Lupita Nyong’o), a grande paixão do atual Pantera Negra, que não quer se tornar rainha. Juntos, eles estão à procura de Ulysses Klaue (Andy Serkis), que roubou de Wakanda um punhado de vibranium, alguns anos atrás.

 

Visualmente, o longa-metragem é um deleite, com efeitos especiais e maquiagem de alto nível. A direção de arte é eficaz ao apostar numa paleta de cores multifacetada que não só diferencia entre si os cinco reinos mostrados na obra, como também revela a diferença para outras locações, como Londres e Coréia.

 

Os figurinos também são carregados em detalhes e expõem muito bem a natureza de cada personagem. A rainha-mãe interpretada por Angela Bassett, por exemplo, surge vestindo um branco que remete à paz, o que vai ao encontro da performance da atriz, que se revela o equilíbrio entre os personagens com sua composição. Ancorado pelo carismático Chadwick Boseman, o restante do elenco, que conta com vencedores do Oscar como Lupita Nyong’o e Forrest Whitaker, também não faz feio e consegue transmitir verossimilhança em uma trama que é sobretudo fantasiosa.

 

A mixagem de som, muito boa ao pontuar o clima de suspense e ação presentes na narrativa, é beneficiada pela sublime trilha sonora, que revela-se um destaque à parte. Ela mistura a modernidade que o filme traz com os rituais que ele carrega, e mescla temas de ação com músicas africanas que nos transportam, verdadeiramente, para aquele universo.

 

Apesar destas qualidades, “Pantera Negra” não passa de mais um filme de herói recheado de clichês e frases de efeito, com uma condução um tanto quanto arrastada do cineasta Ryan Coogler e uma quantidade excessiva de cenas de ação. Para piorar, os dramas dos personagens são retratados de forma superficial, como em qualquer blockbuster que não tenha maiores ambições do que o entretenimento raso.

 

Para uma produção indicada à principal categoria da Academia, “Pantera Negra” fica devendo bastante.

 

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