Crítica: Megarromântico (2019) – Victor Mendonça

Victor Mendonça, em 05/03/2019

 

O longa-metragem “Megarromântico” é, ao mesmo tempo, uma crítica e homenagem satírica ao universo das comédias românticas. Contundente em seus comentários por vezes negativos sobre o estilo, mas sem perder o charme e o toque de emoção que são essenciais em obras assim, o filme diverte do início ao fim e ganha pontos por trazer uma protagonista forte. Trata-se, afinal, de uma jornada pelo amor próprio, que deve vir antes do relacionamento a dois.

 

Natalie (Rebel Wilson) é uma jovem arquiteta bastante cética em relação ao amor, que se empenha para ser reconhecida por seu trabalho. Um dia, ao saltar do metrô, ela é assaltada em plena estação e, ao reagir, acaba batendo com a cabeça em uma pilastra. Ao despertar em um hospital, ela descobre que, misteriosamente, foi parar dentro de um filme de comédia romântica.

 

A obra chega a lembrar do que a cinessérie “Pânico” fez com filmes de terror ao usar e abusar de clichês como forma de autoparódia, transformando elementos saturados em uma produção criativa e inovadora, que parte de uma premissa para lá de original. Assim, o vizinho gay, a melhor amiga que se torna rival no ambiente das comédias românticas, os números musicais, a corrida para impedir o casamento do par romântico, tudo isso ganha uma nova roupagem e outro significado.

 

O filme brinca com o tom inverossímil da ficção deste universo de comédias românticas e tem sacadas hilárias, tanto visuais quanto do roteiro (assinado por Dana Fox, Erin Cardillo e Dana Pelli). O diretor Todd Strauss-Schulson usa e abusa de artifícios ousados e criativos para realçar o ambiente utópico representado e as reações da protagonista perante a ele. A montagem faz ligações por vezes bregas, mas extremamente funcionais ao tema proposto, e as decorações repletas de “fru fru” valorizam ainda mais esse trabalho visual.

 

Tudo isso é embalado por uma gostosa trilha sonora pop com musicas antigas que remetem ao estilo parodiado (como “Pretty Woman” e “A Thousand Miles”), além de claro, referências a clássicos relativamente jovens das comédias românticas, como “Uma Linda Mulher” e “Afinado no Amor”. Para melhorar ainda mais o conjunto final, Rebel Wilson diverte com as expressões de incredulidade de sua personagem e está bem acompanhada por nomes como Liam Hemsworth, Adam DeVine e Pryianka Chopra.

 

O cineasta Todd Strauss-Schulson opta por deixar o público chegar à sua própria conclusão se as comédias românticas propagam estereótipos irreais ou levam ao público uma agradável e necessária energia de esperança. É, acima de tudo, a história de uma mulher que se mantém a mesma nos dois mundos: competente, obesa (em uma sociedade, no mundo real, gordofóbica) e descrente no amor, mas que aprende a adquirir a autoconfiança.

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