Crítica: Cinderela Pop (2019) – Victor Mendonça

Victor Mendonça, em 01/03/2019

 

Protagonizado por Maísa Silva e baseado no best-seller da renomada autora juvenil Paula Pimenta, “Cinderela Pop” é um exemplo de que se pode fazer um bom filme voltado aos adolescentes no cinema nacional. Não trata-se de um longa-metragem profundo, como o ótimo “Confissões de Adolescente“, de 2014. Contudo, é obra despretensiosa que tem a pura missão de entreter. Neste sentido, o cineasta Bruno Garotti mostra a viabilidade de se fazer uma produção teen do jeito que os adolescentes dos Estados Unidos adoram, mas com uma roupagem tupiniquim. Dessa forma, ele agrada as plateias brasileiras sem perder a essência do estilo.

 

Cintia Dorella (Maisa Silva) é uma adolescente que descobre uma traição no casamento dos pais. Descrente no amor, ela vai morar na casa da tia e passa a trabalhar como DJ, se tornando a Cinderela Pop. Mas ela não esperava que um príncipe encantado pudesse fazê-la se apaixonar.

 

Cinderela Pop” surgiu, inicialmente, como conto redigido por Paula Pimenta para o ótimo “O Livro das Princesas“. Era de longe a melhor parte da obra, que contava com autoras de alto nível no Brasil e no exterior, como Meg Cabot (“O Diário da Princesa“), Lauren Kate (“Fallen“) e Patrícia Barboza (“As Mais“). O sucesso da história curta foi tamanho que gerou um romance, também assinado por Paula Pimenta, e agora ganha as telas do cinema como um passatempo muito agradável.

 

Fiel ao original, o filme abusa de clichês sem se revelar uma cópia descartável de outras produções artisticamente superiores. Pelo contrário, o roteiro sabe aproveitar o que há de melhor na obra literária e transpôr esses elementos à telona com alguns estereotípos para dar molho ao enredo, mas também um tom de novidade, assim como no conto idealizado por Paula Pimenta. Além de os personagens serem atualizados para o mundo digital, o longa-metragem, mesmo sem levantar nenhuma bandeira, deixa para trás o tom machista que, infelizmente, está presente em muitas versões de Cinderela, inclusive cinematográficas.

 

É interessante ver os rumos que a carreira de Maísa Silva vem tomando como atriz, ainda bastante jovem, muitos anos após ser descoberta como uma imitação de Shirley Temple em programas do SBT. Ela encarna, com segurança e simpatia, uma protagonista de personalidade forte, determinada e que sabe o quer. O romantismo existe, mas fica em segundo plano. Aqui, o mais importante para Cíntia Dorela é correr atrás de seu sonho: ser uma DJ de sucesso.

 

A intérprete central está bem acompanhada pelo elenco de coadjuvantes. Fernanda Paes Leme está eficaz como uma versão repaginada da madrasta malvada e Filipe Bragança funciona como o par romântico da personagem principal, embora as músicas do cantor interpretado por ele passem longe de ser inspiradas. Outros atores também deixam sua marca, como Elisa Pinheiro e Sérgio Malheiros, como a tia poetisa e o par romântico dela, bem como o restante do elenco de apoio.

 

Desta forma, “Cinderela Pop” revela-se um passatempo leve e que não ofende a inteligência do espectador, envolvendo o público do início da projeção à subida dos créditos finais.

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